[cuntinaçon]
La, de la: muitas vezes nos artigos que indicam posse, na forma de la corta-se o de. Isso acontece muito em topónimos, i.e : balle la ..., ourrieta la ..., e não balle de la... nem ourrieta de la... Pois também dizemos la cinta la raposa (arco iris) e pouco la cinta de la raposa. No entanto isso depende das pessoas e às vezes o de aparece.
-miento: corresponde ao sufixo português –mente e aparece na raia [4]. Pode ser impressão minha, mas parece ter mais uso em Samartino do que nos outros povos da raia. Aparece assim: cimiento, casamiento, pumiento,... Mas já é pouco usado. José Leite de Vasconcelos acrescenta as seguintes palavras[4]: sacramiento, testamiento.
-os, es: o sufixo –os passa a ser –es em aldeias como Samartino, onde o fenómeno é muito claro e aparece em todas as palavras assim terminadas. No entanto também observei o fenómeno numa pessoa da Pruoba em quase todas as palavras em –os, e também numa pessoa de Cicuiro mas com menos frequência, apenas de maneira ocasional. Em Samartino onde isso acontece mais vezes, temos exemplos como: manes, medicamientes, gates, perres, caches, chanes, ...
Los, als: a Convenção Ortográfica actual apenas apresenta uma única solução para o artigo masculino plural mirandés, ls. No entanto, na raia, ele é de pouco uso. Sendo muito vulgar los em Cicuiro i Custantin i als em Samartino. Na raia parece ser Samartino o único povo em usar als.
u,e: notei em Cicuiro a alteração de e para u em palavras conhecidas como Pertual e semana que passem a ser Purtual e sumana. Tambem temos quelores > culores, delores > dulores.
g: esta letra entre vogais pode conservar-se (i.e : ruga), desaparecer (i.e : rua), ou ainda transformar-se em y (i.e : triyo). Este último fenómeno chamado epêntese ou iotização [5] aparece na raia, no que eu sei em três povos: Paradela (em quase todas as palavras com g intervocalico) e em Custantin e Cicuiro, ja com menos frequência. Porém esse fenómeno devia ser generalisado a essas três povoações porque ainda hoje em Cicuiro se pode ouvir fiyura ou triyo. E as pessoas mais antigas lembram-se, quando eram crianças, de ter ouvido a velhos palavras como cuntiyo e amiyo.
Desses vários exemplos parece que se pode deduzir uma regra que poderá ser usada para novas palavras:
- g entre u-a : desaparece ou conserva-se (i.e : ruga / rua).
- g entre i-o ou i-u : transforma-se em y (i.e : amiyo, fiyura).
Pode, por exemplo, aplicar-se esta regra para a introdução da palavra de vocablo matemático trigonometria que em mirandês seria triyonometrie. No antanto, pela influencia do português o g tende a conservar-se sem a transformação para y, sendo agora trigo, amigo, contigo,... Porem ainda se conserva a palavra fiyura em Cicuiro. Notem que é em Samartino onde o g se conserva na palavra ruga e desaparece em Cicuiro e Custantin onde se diz rua (e não rue como aparece nas placas toponimicas). Nestas duas aldeias existe a palavra ruguita, sem alteraçao do g, para designar uma pequena rua.
Referências :
[4] José Leite de Vasconcelos, Dialecto Mirandez, 1882, p.13.
Thierry Alves
[cuntina]